PCdoB estadual anula eleição de Cristiano Soares como presidente do diretório de Parintins

PCdoB estadual anula eleição de Cristiano Soares como presidente do diretório de Parintins Foto: PCdoB Notícia do dia 05/02/2016

A eleição interna que indicou o militante Alberto Cristiano Soares como presidente municipal do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em Parintins não foi homologada pelo Comitê Estadual da sigla, uma vez que foram encontradas irregularidades no processo eleitoral de escolha dos novos dirigentes que iriam comandar o partido nos próximos dois anos. Com a invalidação da eleição pela diretoria regional o diretório local continua sem uma direção definitiva.

 

Entre as irregularidades apontadas pelo Comitê Estadual que levaram a anulação da eleição estão pelo menos dois motivos graves: a falta de cédulas de votação no ato de escolha e o registro de votos de militantes que não estavam aptos para votar por não estarem em dia com as obrigações estatutárias e não terem pago as mensalidades obrigatórias. Até mesmo pessoas que nunca foram filiadas ao partido teriam votado no pleito.

 

Desta forma, o PCdoB em Parintins não tem uma diretoria com representatividade legal e a direção estadual deverá indicar um presidente provisório depois do carnaval. Em contato com a reportagem, via telefone, na quinta-feira, 4, o secretário estadual de organização do PCdoB, Edilon Melo de Queiroz, confirmou a negação do comitê estadual para a homologação da diretoria local que tinha como presidente Alberto Cristiano Soares.

 

O presidente estadual do partido, Eron Bezerra, falou com a reportagem por telefone na tarde de quarta-feira, 3, entretanto, estava em uma audiência em Fortaleza-CE e orientou o REPÓRTER PARINTINS a entrar em contato com o secretário estadual de organização Edilon Queiroz. “A direção não foi homologada porque não teve cédula eleitoral. Se tivesse cédula eleitoral teria sido homologada, porque foi acompanhada pelo secretário de organização Christian Barnard”, disse Edilon.

 

De acordo com Queiroz, até o momento quando terminou a conferência ninguém fez questionamento nem entrou com recurso, portanto a conferência existiu e não perdeu a legitimidade, somente a eleição para a nova presidência foi anulada. “Se tinha problemas as pessoas tinham que ter tratado no dia. Tinham que ter feito o recurso no dia, inclusive que pessoas que estão questionando isso entraram na direção. Então é um cuidado que a gente tem que ter, de certa forma”, ressaltou se referindo ao pedido de anulação também da conferência.

 

Edilon Melo frisou que evitou se posicionar como secretário de organização nos grupos de whats para não passar juízo de valor aos militantes do PCdoB de Parintins. “Inclusive, no grupo que me colocaram, eu não tenho colocado nenhum posicionamento da parte do partido que não são verdadeiras, porque o Cristian esteve aí (na conferência em Parintins) e acompanhou. Se tinha problema era pra ter resolvido logo aí”, disse.

 

O secretário de organização ressaltou que a decisão do Comitê Estadual se respaldou no que diz o estatuto do partido para tomar a decisão de não homologar a diretoria eleita no diretório de Parintins. “Então, a homologação das conferências são feitas em cima dos critérios que foram aprovados como resolução. Aí não cumpriu uma, uma não, aliás duas. Não pagaram alguns dos dirigentes e não teve cédula eleitoral, não é homologada, vai ficar como comissão provisória. Alguns dirigentes não estão quites com o partido. Para ser dirigente tem que estar quite com o partido”, frisou.

 

Ele esclareceu que o PCdoB em Parintins vai permanecer os próximos dois anos como direção provisória porque só pode ser chamada uma nova conferência dentro do período ao qual o Comitê Estadual publica o edital, comunica os municipais e eles realizam o encontro municipal. “A direção foi eleita e depois já começou a ruir”, disse.

 

Edilon esclareceu que a direção municipal depois de eleita, a única coisa que é definida na conferência, de acordo com as regras estatutárias, é a presidência e a vice-presidência do partido. “Os demais cargos marca-se uma reunião logo em seguida e pode até ser no mesmo dia, já sendo a primeira reunião. Geralmente a gente faz depois, e aí sim, define os cargos. Um exemplo: aqui em Manaus o comitê municipal ainda é provisório, mesmo sendo da capital os cargos ainda são provisórios, porque eles ainda não definiram”, pontuou.

 

O dirigente estadual afirmou que no caso de Parintins o Comitê Estadual vai ter a autonomia para indicar uma comissão provisória, que comandará o partido no período dos dois anos até enquanto não tiver problema. “A gente manda alguém do Comitê Estadual, tem problema. O Rui (Brito) tem problema. Mando outro companheiro tem problema. O Cristiano até um dia desse era excelente, agora já não mais. Quem a gente colocar aí, pelo que estou vendo, sempre vai dar problema, seja daí ou seja daqui”, desabafou.

 

Ele relatou que o Comitê Estadual tentou resolver os impasses de grupos antagônicos do PCdoB em Parintins, entretanto os conflitos internos persistiram. “De Manaus, nós mandamos o Raimundo Nonato. No começo estava tudo bem e depois desandou tudo”, disse informando que os militantes de Parintins exigiam uma direção do próprio município. “Tá bom então, tem que ser daqui (Parintins). Definiram, e quem definiu não foi nós do Comitê Estadual. Definiram o Cristiano, já agora não serve mais. É um problema daí de Parintins”, ressaltou.

 

Edilon Queiroz confirmou que a comissão provisória que vai conduzir o partido em Parintins será indicada diretamente pelos dirigentes estaduais. “A comissão provisória é delegada pelo Comitê Estadual. Ela é indicada. Os dirigentes vão representar politicamente, se sim ele entender, mas oficialmente só uma pessoa vai responder, que é quem fica no comando, ou duas ou três, dependendo de como a gente venha aqui delegar”, reforçou.

 

Perguntado se o grupo que foi eleito na conferência fica no cargo, ele disse que não está definido nada e prefere aguardar o recurso contra a realização da conferência que foi formalizada por um grupo de militantes, entre os quais Rui Brito e Afonso Rodrigues. “Não está definido isso. Isso aí ainda vou conversar com o Eron, porque houve um recurso e eu quero saber se ele vai direcionar alguma orientação ou não. Agora, o recurso eu não conheço, chegou pro Eron. O Eron que tinha que responder porque pra mim não foi passado”, finalizou.

 

 

Marcondes Maciel | Repórter Parintins

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